sábado, 24 de março de 2012

Lixo espacial deixa astronautas de estação em alerta


A tripulação da Estação Espacial Internacional teve de se refugiar em cápsulas de fuga de emergência temendo uma colisão com um pedaço de lixo espacial.
O detrito, um pedaço descartado de um foguete russo, foi detectado na sexta-feira, quando já era tarde demais para mover a estação espacial.
A agência espacial americana, a Nasa, afirmou que o detrito não chegou a se aproximar tanto da estação a ponto de constituir uma ameaça, mas acrescentou que foi preciso tomar medidas de precaução.
Foi a terceira vez em doze anos que a Estação Espacial Internacional enfrenta o risco de ser atingida por lixo espacial.
Em junho, um detrito chegou a 335 metros da plataforma espacial.
Segundo a agência espacial russa, o pedaço de foguete deste sábado passou a uma distância de 23 quilômetros da estação.
'Exercício de abrigo'
A plataforma espacial atualmente conta com três astronautas russos, dois americanos e um japonês.
A equipe recebeu ordens de se refugiar em duas cápsulas Soyuz na eventualidade de a estação ser atingida, mas um porta-voz da Nasa informou que eles receberam o sinal verde para regressar à estação na madrugada do sábado.
O ''exercício de abrigo'', segundo o porta-voz, foi realizado ''com extremo zelo e de forma muito cuidadosa''. Ele acrescentou que tudo ocorreu ''como manda o figurino e o pequeno detrito passou pela Estação Espacial Internacional sem que houvessem incidentes''.
A Nasa está atualmente rastreando cerca de 22 mil objetos que estão percorrendo a órbita terrestre, mas a agência espacial acredita que possam exitir milhões de objetos rondando o espaço, como consequência de décadas de programas espaciais.
Os detritos variam de tamanho, podendo ser desde pequenos objetos com menos de um centímetro de comprimento ou até grandes pedaços de foguetes, satélites que não operam mais ou tanques de combustível descartados.
Todos estes detritos que constituem o lixo espacial viajam a velocidades de vários quilômetros por segundo e, numa eventual colisão, podem provocar sérios danos à plataforma espacial ou a satélites.
Um dos eventos que provocou a maior criação de detritos se deu em 2007, quando a China usou um míssil para destruir um de seus próprios satélites. A explosão criou mais de 3 mil detritos, que puderam ser rastreados, e outras 150 mil partículas.

Aluna de universidade de RR diz ter sido vítima de intolerância religiosa


Uma estudante de direito da Universidade Estadual de Roraima acabou na delegacia na tarde desta sexta-feira (23), em Boa Vista, depois que uma das professoras do curso se recusou a dar aula para a turma do 10º semestre do curso por causa, segundo ela, de seus trajes e objetos pessoais. Raymunda Gomes Damasceno Bascom, de 44 anos, reclama ter sido vítima de discriminação religiosa. A universidade aguarda o relatório da professora sobre o incidente e uma análise da assessoria jurídica para se pronunciar oficialmente.
A universitária diz que segue uma religião de matriz africana e, por isso, todas as sextas-feiras veste saia branca, blusa azul, colares e adornos na cabeça, e carrega consigo objetos como uma pequena bíblia, uma pequena boneca. Além disso, ela diz que sempre carrega livros, dicionários, frutas e uma caneca para evitar o desperdício de copos descartáveis.
Raymunda Gomes Damasceno Bascom, de 44 anos, estudante de direito da Universidade Estadual de Roraima (Uerr) (Foto: Arquivo pessoal)Raymunda Gomes Damasceno Bascom, de 44 anos, estudante de direito da Universidade Estadual de Roraima (Foto: Arquivo pessoal)
Ray, como é conhecida entre os colegas, contou ao G1 que tem aulas de direito administrativo com a mesma professora todas as quintas e sextas-feiras desde a segunda semana de fevereiro, mas que seu modo de vestir e seus objetos nunca foram motivo de conflito. Nesta sexta, sua turma teve aula de direito processual constitucional no primeiro período e, entre as 10h e as 11h50, teria a aula de direito administrativo.
"Quando ela chegou, depois de dar bom dia, ela virou para mim e perguntou 'o que é isto?'. Eu não sei a que ela se referia, então respondi 'este é o meu jeito de vestir na sexta-feira', e ela disse que era para eu tirar as coisas, inclusive da minha mesa, tudo o que não tivesse que ter com direito administrativo, senão ela não ia dar aula", disse a estudante.
Em um vídeo enviado à TV Roraima e filmado por uma aluna que estava presente na classe, a professora diz após ver os objetos sobre a mesa de Ray: "Isso não faz parte da aula. Você vai ficar só com o seu caderno e sua caneta". Após a reação dos alunos, a professora afirma: "Se vocês querem fazer qualquer tipo de manifestação utilizem os meios cabíveis. Eu sei que só tem uma pessoa aqui que está fazendo este tipo de coisa, mas como tenho que falar com a sala inteira. Eu não vou dar aula com este tipo de coisa aqui. Isto não faz parte da aula de direito administrativo. Vou dar dois minutos para você retirar. Se você não retirar eu não vou dar aula."
Segundo a estudante, os colegas da turma a impediram de retirar os objetos e, depois de uma discussão, a professora pegou seu material e deixou a sala de aula. Por causa do evento, Raymunda registrou um boletim de ocorrência de segregação no 1º Distrito Policial de Boa Vista, assinou um termo de declarações na Promotoria de Educação do Ministério Público Federal e, na tarde de sexta-feira, buscou a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Roraima.
Procurada pelo G1, Ênia Maria Ferst, diretora de graduação da Pró-Reitoria de Ensino da Universidade Estadual de Roraima, afirmou que a Uerr só vai se manifestar após receber o relatório oficial da professora sobre o ocorrido, e encaminhá-lo à assessoria jurídica da instituição, para que ela dê o encaminhamento de acordo com o código de ética da universidade.
Apoio dos colegas
Uma colega da turma, que preferiu não se identificar, afirmou que estava sentada no fundo da sala e ouviu a professora dizendo que daria dois minutos para que Raymunda retirasse da carteira todos os objetos sem relação com a disciplina de direito administrativo. "Ela foi bem categórica, disse 'isso não tem nada a ver com a aula, eu lhe dou dois minutos para você retirar'", contou a colega.
Ainda de acordo com ela, Raymunda se levantou para obedecer a ordem da professora, mas a turma se manifestou em apoio a ela, afirmando que não havia, no regulamento da universidade, qualquer proibição desse tipo e que a posição da professora era inconstitucional. "Alguns alunos se exaltaram com a professora, e ela também, e então falou que não ficaria lá batendo boca com os alunos e saiu da sala", contou a aluna, que classificou a professora como "bem rígida" e afirmou que diversas situações de conflito entre ela e a turma já vinham acontecendo desde o início do semestre. "Por isso todo mundo ficou a favor da Ray."
Raymunda, que tem mãe indígena e pai negro, e descende da etnia Kraô, contou que leva frutas como banana consigo porque gosta de se alimentar de maneira saudável, um hábito que guarda desde a época em que vivia em Goiás, onde nasceu. Ela se mudou para Roraima em 1991 e afirma participar da religião de matriz africana como participante.
Segundo ela, nesta sexta-feira, o único adorno diferente que ela usou, em relação às outras sextas-feiras, foi trocar um prendedor de cabelo com pena por um lenço branco, amarrado na cabeça em forma de turbante.
A colega afirmou que Raymunda sempre chamou a atenção pelo modo "alternativo" de se vestir, mas que tanto os estudantes quanto os professores já estavam acostumados com o seu jeito. "Ela é uma pessoa que se veste de forma alternativa, tem comportamento diferente, incomum dos demais, mas é o jeito dela mesmo, saias longas, bastante colar, não é surpresa. Às vezes ia com mais apretrechos, outros dias com menos, mas a professora nunca tinha falado nada", contou.

UFCG divulga a 7ª chamada do Vestibular 2012


Estão sendo convocados 882 novos classificados para o 2º período letivo

Foi divulgada na tarde desta sexta-feira, dia 23, a 7ª chamada do Vestibular 2012 da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Estão sendo convocados 882 novosclassificados para o 2º período letivo ou para cursos com ingresso apenas no período 2012.2.

As vagas são decorrentes do não comparecimento de candidatos classificados ao cadastramento encerrado na última quarta-feira, dia 21.

Os convocados devem realizar o cadastramento nos próximos dias 27 e 28, das 8h às 11h30min e das 14h às 17h, nas coordenações dos cursos para os quais foram classificados. O não comparecimento ou a não apresentação da documentação exigida implicará na perda do direito aos resultados da classificação no Vestibular.

Veja aqui a listagem.

Para a realização do cadastramento, são exigidos originais e cópias dos seguintes documentos: certificado de conclusão do ensino médio (2º grau) ou curso equivalente, ou diploma de graduação em curso superior; identidade; CPF; título de eleitor para os brasileiros maiores de 18 anos, com comprovante de presença na última eleição; prova de quitação com o serviço militar, para os brasileiros do sexo masculino e maiores de 18 anos; certidão de nascimento ou de casamento; e comprovante de residência. As cópias dos documentos poderão ser autenticadas pelo servidor da UFCG no momento do cadastramento.

Confira aqui o edital completo.

O cadastramento tem por finalidade vincular o candidato à UFCG, confirmando sua pretensão de frequentar o curso em que obteve aprovação. É condição indispensável para que o candidato, agora na qualidade de aluno, possa fazer a matrícula em disciplinas. A data da matrícula em disciplinas será informada no comprovante de cadastramento.

Assaltantes invadem joalheria e fazem reféns em Porto Alegre


Por volta das 8h45 deste sábado (24), quatro homens armados invadiram uma joalheria localizada na esquina da Avenida Farrapos com a Rua Arabutã, em Porto Alegre. Informações preliminares da Brigada Militar dão conta de que são pelo menos três reféns dentro do estabelecimento. Viaturas cercam o local e policiais tentam negociar com os suspeitos. A área está isolada.
Logo depois da chegada dos suspeitos à joalheria, uma viatura que estava perto do local se aproximou, percebeu a movimentação e chamou reforço em seguida. De acordo com o soldado Adriano Cunha, do 9º Batalhão da Brigada Militar, um policial foi ferido nas costas em troca de tiros com os assaltantes, mas se recupera bem no Hospital de Pronto Socorro. “Pelo que sabemos não penetrou a bala, foi superficial”, disse ele ao G1. Não há registro de outros feridos na ação.
Segundo o soldado Cunha, a situação está controlada, e os assaltantes exigem a presença da imprensa em frente ao estabelecimento durante a negociação, comandada pelo capitão Rogério Aaraújo. "Eles também pediram familiares e advogados, além de coletes à prova de balas para saírem da loja. Os reféns disseram que não estão sendo maltratados, está tudo calmo", relatou o negociador à Rádio Gaúcha, informando também que os homens foram identificados e já participaram de outros assaltos.
A Empresa de Transporte Público e Circulação (EPTC) está nas imediações da joalheria orientando os motoristas sobre os desvios no trânsito.

Casais enfrentam anos de espera para fazer fertilização na rede pública

A felicidade de Verônica Salviano, 34 anos, com o nascimento da filha Gabriela não cabe em adjetivos. “Foi uma sensação tão maravilhosa, tão linda, tão gostosa, eu não sabia se chorava ou se ria, estava em estado de graça”, lembra, emocionada. O parto ocorreu em dezembro de 2010, após quase sete anos de tentativas para realizar a fertilização in vitro na rede pública.

Apesar de não constar na tabela do SUS, a fertilização in vitro é oferecida gratuitamente em pelo menos oito hospitais no Brasil, que realizam cerca de dois mil procedimentos por ano. Segundo gestores de programas de fertilização públicos ouvidos pelo G1, este número é incapaz de atender a demanda, o que aumenta o tempo na fila de espera.
A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida onde óvulo e espermatozoide são fecundados em laboratório. Depois, o embrião é implantado diretamente no útero na mãe. A técnica tem mais sucesso que a inseminação artificial, mas também é mais cara. Em clínicas particulares, o custo de uma tentativa gira em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil, mas pode ir a R$ 50 mil. A chance de engravidar na primeira tentativa é de cerca de 30%, dependendo da idade da mulher.
Gabriela, hoje com um ano e três meses, nasceu após quase sete anos de tentativas dos pais. (Foto: Flavio Moraes / G1)Gabriela, hoje com um ano e três meses, nasceu após quase sete anos de tentativa dos pais de realizar a fertilização in vitro na rede pública. (Foto: Flavio Moraes / G1)
Gabriela
Verônica tinha 25 anos quando procurou ajuda para engravidar pela primeira vez. A fertilizaçãoin vitro era a única opção, já que seu marido tinha passado por vasectomia há mais de 15 anos. O casal, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, desistiu assim que ouviu o valor do tratamento: em torno de R$ 20 mil na época. “Era muito caro, fora da nossa realidade”, conta.
Dois anos depois, eles descobriram que o Hospital Pérola Byington, em São Paulo, oferecia fertilização in vitro gratuitamente. Verônica pegou a senha, fez todos os exames e finalmente entrou na fila em 2004.
“Nós íamos para o hospital [buscar informações] e nossa senha nem se mexia. Era frustrante, porque a gente não tinha dinheiro para ir para uma clínica particular e eu ficava preocupada com minha idade”, conta Verônica. As chances do procedimento ter sucesso diminuem conforme a mulher fica mais velha.
Após uma espera de quatro anos, ela e o marido foram finalmente chamados em 2008. Um tipo raro de problema nas trompas de Verônica dificultou o processo e só no final de 2010 o sonho de ter um filho se realizou.
“Apesar de tanto sofrimento, eu não desisti”, se emociona a mãe de Gabriela, que está com um ano e três meses. "Estava em um hospital público, mas de primeiro mundo. Se não fosse ele, eu não teria condições financeiras".
Infográfico fertilização in vitro (Foto: G1)
Na fila
Katiana Paz, de Maceió, alimenta o mesmo sonho de Verônica. Há 9 anos ela e o marido Wellington tentam ter um filho, sem sucesso.
“Fui para um especialista em fertilização, fiz exames e ele descobriu que eu tinha um probleminha, meu esposo também”, lembra. A única opção para o casal era a fertilização in vitro.
“O médico disse que a fertilização custava R$ 15 mil a tentativa. Fiquei desesperada. Este valor pode ser pouco para quem tem condições, mas para quem não tem é uma fortuna”, afirma. A notícia fez Katiana e o marido adiarem os planos.
Em 2010, eles descobriram que uma instituição em Recife, o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), oferecia a fertilização de forma gratuita.
“Eu disse: meu Deus, é verdade? É um tratamento tão caro que eu nem acreditei que era oferecido na rede pública", conta.
Desde então, Katiana e Wellington começaram a fazer viagens quase mensais para Recife para realizar os exames e se preparar para o procedimento. Segundo ela, sua senha está chegando e eles estão “na porta” da fila. Eles terão duas tentativas e estão bastante otimistas. Wellington acha que o casal conseguirá ter duas meninas e já está planejando reformas na casa para receber os bebês.

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