sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Após conversas com o governo, oposição ucraniana mantém protesto

Manifestante ficam de guarda e montam barricadas no centro de Kiev na madrugada desta sexta-feira (24). (Foto: Serguei Supinsky/AP)
Os líderes da oposição ucraniana manifestaram sua decepção nesta quinta-feira (23), depois das negociações com o presidente Viktor Yanukovith, e pediram aos manifestantes que continuem mobilizados, mas sem violência.
Segundo a oposição, o governo fez poucas concessões.
Logo após as cerca de quatro horas de discussões, um dos líderes do movimento, Arseni Iatseniuk, mostrou-se otimista, afirmando que havia "muitas chances" de "terminar com o banho de sangue". Depois, em pronunciamento para a multidão reunida na Praça da Independência, ele e outras lideranças estavam menos animados.
"Sei até que ponto a situação é tensa, sei até que ponto são grandes as expectativas, sei que muitos vão se sentir decepcionados", declarou Vitali Klitschko.
"A única coisa que conseguimos em nosso encontro com Yanukovich é uma promessa de colocar todos os militantes em liberdade", afirmou, acrescentando que o presidente descartou qualquer possibilidade de renunciar ao cargo.
O nacionalista Oleg Tiagnybok declarou que o presidente também propôs liberar a rua Gruchevski, palco de violentas cenas de guerrilha urbana desde domingo, em troca da tranquilidade na Praça da Independência, ocupada há dois meses.
O Ministério do Interior confirmou ambos os anúncios em um comunicado.
"Não vamos nos render", insistiu Klitschko, acrescentando que "é possível mudar de poder sem derramamento de sangue".Novas negociações ainda sem data estão previstas. Nesta quinta, o presidente pediu a convocação de uma sessão extraordinária do Parlamento, prevista para a próxima terça-feira.
Ele disse temer, porém, por novas mortes nos confrontos.
"Nós nos mantemos em guarda, nenhum passo para trás", garantiu Arseni Iatseniuk, do partido da opositora Yulia Timochenko, que continua presa.
Ministério da Agricultura
Os manifestantes tomaram de assalto, na madrugada desta sexta, o ministério da Agricultura, situado na avenida principal da capital, segundo diversas fontes.

"Os militantes do movimento Spilna Sprava (Causa Comum) acabam de ocupar o edifício do ministério da Agricultura", na rua Jrechtchatik, a 100 metros da praça da Independência, escreveu durante a noite em sua conta do Facebook Olexandre Danyliuk, líder do movimento.
"Colaboradores (do ministério) foram recuperar seus pertences, mas o bloqueamos e não deixaremos ninguém entrar até que a situação se normalize no país", disse um militante à agência Interfax.
França convoca embaixador
A França convocará nesta sexta o embaixador da Ucrânia para transmitir a ele sua condenação pela repressão das manifestações em Kiev, anunciou o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, que disse estar preocupado e indignado.

"Dei instruções ao Quai d'Orsay para que convoque hoje o embaixador da Ucrânia na França, o que é um gesto que demonstra que há uma condenação por parte da França", declarou Fabius à rede I-Télé. "Foi dada a ordem de disparar contra a multidão, o que é evidentemente inadmissível", acrescentou.
Protestos
Os protestos começaram quando o presidente desistiu de assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE) para se aproximar economicamente da aliada Rússia.

As manifestações inicialmente pacíficas contra o governo de Yanukovich tornaram-se violentos no domingo (19), quando manifestantes radicais se afastaram da região principal dos protestos na área central de Kiev e entraram em confronto com a polícia.
Três pessoas morreram do lado dos manifestantes - duas com ferimentos provocados por disparos - e mais de 150 policiais ficaram feridos, nas piores cenas de violência nas ruas de Kiev nos últimos anos.
G1

Manifestação termina com atos de vandalismo em Porto Alegre

Um protesto na noite desta quinta-feira (23) em Porto Alegre terminou em vandalismo. Após cerca de 1h30 de marcha, pelo menos 5 contêineres de lixo e 2 parquímetros da EPTC foram queimados ou danificados. Além disso, um grupo depredou uma banca de revista e quebrou a vidraça da CEEE. Um templo religioso e a fachada da Transurb foram pichados.
Vidraça da CEEE foi quebrada em Porto Alegre (Foto: Estêvão Pires/G1)
Segundo o Centro Integrado de Comando de Porto Alegre (Ceic), um total de cerca de 1,2 mil pessoas participaram da manifestação, que começou por volta das 18h com uma concentração perto da Prefeitura de Porto Alegre. Os manifestantes levaram faixas e bandeiras. Alguns foram mascarados. A marcha começou por volta das 19h25.
O grupo saiu do Paço Municipal, entrou na Avenida Júlio de Castilhos, passou pelo Túnel da Conceição e caminhou por um trecho da Osvaldo Aranha. Em seguida, os manifestantes entraram nas avenidas Salgado Filho e Borges de Medeiros e seguiram pela perimetral até a José do Patrocínio. O protesto terminou nas esquinas da José do Patrocínio com a Loureiro da Silva. Não houve confronto com a Brigada Militar.
Manifestantes fazem marcha em Porto Alegre (Foto: Estêvão Pires/G1)O protesto foi contra a possibilidade de aumento da passagem de ônibus e contra o atual formato de proposta do governo para a Copa do Mundo 2014. Além disso, parte dos manifestantes carregava faixas que criticavam o prefeito José Fortunati por sua atuação no debate sobre territórios quilombolas na capital, que são áreas reivindicadas por famílias de descendentes negros.
Por volta das 21h15, nas esquinas da Avenida Loureiro da Silva com a Rua José do Patrocínio, líderes anunciaram em um caminhão de som que o ato estava sendo encerrado. Às 21h45, a EPTC liberou o trânsito na esquina da Avenida Loureiro da Silva com a Rua José do Patrocínio. Aos poucos, o grupo que permaneceu no local se dispersou.

Manifestantes sentaram no chão em Porto Alegre (Foto: Estêvão Pires/G1)A manifestação foi organizada pelo Bloco de Lutas pelo Transporte Público. Entretanto, alguns partidos, o Movimento Levante da Juventude e o Movimento Negro Unificado participaram. Bandeiras de organizações de movimentos estudantis também foram vistas. Na concentração, um dos gritos entoados era: "1, 2, 3, 4, 5, mil, se aumentar a passagem nós paramos o Brasil".
Com o ato, comerciantes fecharam as portas dos estabelecimentos e receberam apoio de PMs. Por volta das 21h20, parte dos manifestantes sentou no chão, no meio da rua. Apesar da tensão, depois de alguns minutos o grupo levantou e se dispersou.
Após protesto, cerca de 10 manifestantes foram abordados pela Brigada Militar. Após serem revistados, foram liberados.
O Corpo de Bombeiros foi chamado para apagar o fogo dos contêineres. Com a caminhada e os atos de vandalismo, ônibus deixaram de circular em algumas vias do Centro e da Cidade Baixa. Por isso, passageiros que esperavam nas paradas ficaram revoltados com a situação.
G1

Haddad afirma que ação do Denarc na Cracolândia foi 'lamentável'

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), se disse indignado com a ação da Polícia Civil que terminou com prisões e tumulto na Cracolândia e a considerou "lamentável".
Além disso, o prefeito afirmou que a ação da Polícia Civil não foi "pactuada" com a Prefeitura. "O governo municipal não tinha o menor conhecimento do que ocorreria ali. Se tivéssemos tomado conhecimento, não concordaríamos com a maneira como foi procedido. Ali havia cidadãos comuns, beneficiários do programa (Operação de Braços Abertos), agentes da saúde, agentes da assistência social e outros servidores, que foram surpreendidos por uma ação repressiva", declarou.
Haddad manifestou preocupação com a possibilidade de novas ações deste tipo voltarem a se repetir na Cracolândia. "Esse tipo de ação pode comprometer essa relação de confiança que foi estabelecida ao longo desses meses. E isso nós não podemos permitir", destacou.
Em nota, a Prefeitura informou que houve uso de bala de borracha e bombas de efeito moral contra "contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química". (Veja íntegra da nota abaixo)
No horário da ação policial, funcionários da Prefeitura e o secretário municipal de Segurança Urbana estavam na Cracolândia e faziam um balanço do Programa Braços Abertos, que busca oferecer vaga de trabalho para dependentes de crack. "Acho que o que nos cabe neste momento é manifestar essa indignação e reafirmar nosso compromisso com o programa (Braços Abertos) ", disse Haddad.
De acordo com a Polícia Civil, houve resistência por parte dos suspeitos e de usuários de drogas. Os policiais contam que foram atacados com paus e pedras e que três carros do Denarc foram depredados. Um policial teria ficado ferido ao levar uma paulada e foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal para fazer exame de corpo de delito, segundo o Denarc.Nesta tarde, por volta das 15h, agentes do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) realizaram ação para prender traficantes na região. Cerca de trinta suspeitos foram levados para averiguação, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil.
Ação da Polícia Civil termina em prisões e tumulto na Cracolândia. (Foto: JF Diorio/Estadão Conteúdo)
A ação ocorreu por volta das 15h. De acordo com a reportagem da Rádio CBN, usuários de crack relataram o uso de bombas de efeito moral na abordagem policial. Tanto a Prefeitura de São Paulo quanto a Polícia Militar disseram não ter sido avisadas previamente da ação.
A delegada e diretora do Denarc, Elaine Maria Biasoli, disse que a ação policial na Cracolândia que terminou em prisões e tumulto ocorreu"dentro da legalidade". "O Denarc não possui bala de borracha. Nós temos, sim, munição antimotim para intimidar. É bomba de efeito moral, só", disse. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, no relatório enviado ao secretário Fernando Grella, os agentes do Denarc não relataram ter usado balas de borracha na operação.
Por meio de sua assessoria, o Denarc disse que as prisões não fazem parte de uma operação específica, mas integra as ações rotineiras que o departamento de combate ao tráfico já realiza na região. Para essas ações, o Denarc diz que não costuma pedir apoio de outras forças policiais. Desde o dia 1º de janeiro, ao menos 33 suspeitos de tráfico já foram detidos na região da Cracolândia, segundo a assessoria do departamento.

Braços Abertos
O programa da Prefeitura busca oferecer emprego para usuários de crack. Ao apresentar o programa no começo do mês, o prefeito Fernando Haddad tinha criticado ações violentas e "higienistas" já adotadas contra os usuários de droga na região.

No total, a Prefeitura ofereceu 400 vagas para que usuários trabalhem em atividades de zeladoria em praças. Com a iniciativa, os usuários deixaram barracos nas calçadas nas ruas Helvétia e Dino Bueno e se mudaram para cinco hotéis na região.

O custo por pessoa para a Prefeitura será de cerca de R$ 1.215 mensais por participante, incluindo por exemplo os valores que serão pagos com os hotéis. Os participantes terão café, almoço e jantar pelo programa Bom Prato.

Dependentes que têm companheiros ficarão em um quarto. No caso dos solteiros, eles ficarão hospedados em quartos com três ou quatro pessoas, segundo a Prefeitura.

Apesar do foco no trabalho, a ação é voltada e comandada pela área da saúde. O atendimento se dará especialmente no equipamento denominado Braços Abertos, instalado na região. Equipes do programa Consultório de Rua, que são vinculadas à UBS Santa Cecília e fazem abordagem aos usuários, continuarão o trabalho.

Nota da Prefeitura
Confira abaixo o posicionamento oficial da administração municipal:

Ação da Polícia Civil termina em prisões e tumulto na Cracolândia. (Foto: JF Diorio/Estadão Conteúdo)"A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil.

A Prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A "Operação de Braços Abertos" é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não-violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força.
Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado.
Secretaria de Comunicação
Prefeitura de São Paulo"
G1

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São Paulo terá grupo policial exclusivo para Copa do Mundo

Policiais do Gate durante treinamento no Metrô em outubro (Foto: Edu Silva/Futura Press)
Durante 62 dias, São Paulo terá um grupo policial exclusiva para cuidar da segurança no mundial de futebol. De acordo com a PM, a partir de maio será criado o Comando de Policiamento para a Copa do Mundo. O modelo é inspirado no batalhão usado pela corporação de Minas Gerais na Copa das Confederações do ano passado.
Homens do 2º e do 4º batalhões do Choque vão atuar de maneira preventiva e ostensiva a partir do entorno da Arena Corinthians, em Itaquera, Zona Leste. O estádio receberá seis partidas da Copa.Apesar de a competição começar em 12 de junho, 3.840 policiais militares de batalhões de elite do Choque da PM paulista vão trabalhar ininterruptamente desde 18 de maio até 18 de julho (cinco dias após a final, que acontece no estádio do Maracanã, no Rio).
A PM informou que não vai tolerar manifestações violentas ou bloqueios nas vias que levam até a arena. Como ocorreu durante os protestos de 2013, armas não letais, como gás lacrimogêneo, poderão ser usadas. “Por segurança, não serão permitidas, por exemplo, manifestações que atrapalhem o fluxo de torcedores ao estádio. Balas de borracha poderão ser usadas para coibir atos violentos”, disse o capitão Rodrigo Custódio Garcia, chefe da seção de relações institucionais da PM para grandes eventos.
Para garantir a segurança dos turistas da Copa e dos paulistanos, a PM decidiu cassar os benefícios dos policiais. “De maio a julho não serão concedidas férias ou licenças prêmios”, afirmou Garcia. Em média, 10 mil PMs se afastam do trabalho num mês. Dessa forma, serão quase 20 mil policiais que deixarão de folgar durante a Copa.
Agentes do interior de São Paulo também ajudarão a reforçar o efetivo, com cerca de 800 PMs transferidos temporariamente para atuar nas Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam).
Tropa de elite
De acordo com a Coordenadoria Operacional da corporação, os 3.840 policiais do novo comando terão à disposição veículos e aeronaves. Para efeitos comparativos, o efetivo da PM paulista em todo o estado é composto por 93 mil homens. A criação da “nova polícia” deverá ser publicada no Diário Oficial para definir quem será o comandante e especificar outras funções.

Esse novo modelo de comando para grandes eventos esportivos é inspirado no Batalhão da Copa, usado pela PM de Minas Gerais como experiência na Copa das Confederações. Considerada uma prévia para o mundial, a competição não foi realizada em São Paulo porque a Arena Corinthians não ficou pronta a tempo.
O Batalhão da Copa foi empregado em junho e conteve manifestações violentas de grupos contrários aos gastos públicos com a realização da competição no Brasil. Os policiais militares mineiros, porém, foram acusados de truculência pelos manifestantes.
O 2º Batalhão de Choque, que já atua em São Paulo na segurança de grandes eventos, continuará nessa função. O 4º Batalhão de Choque, que tem o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), poderá atuar, por exemplo, na varredura do estádio para detecção de bombas. Outro grupamento da PM atuará na segurança “aproximada”, ajudando na escolta de autoridades e delegações.
Ao contrário de jogos de competições nacionais, como o Campeonato Brasileiro e o Paulistão, as partidas da Copa não terão policiais militares no interior das arenas. A segurança será feita por vigilantes profissionais especializados, os stewards.
Jogos
O estádio do Corinthians receberá seis partidas da Copa. Em 12 de junho, uma quinta-feira, acontece a abertura, com a partida entre Brasil e Croácia às 17h pela fase de grupos. “O jogo que mais preocupa é esse”, disse o capitão da PM Custódio Garcia, que participa da Comissão Estadual de Segurança Pública e Defesa Civil para Grandes Eventos.

Uma semana depois da abertura, no dia 19, a arena será palco de Uruguai x Inglaterra, às 16h. Ainda em junho, a Arena Corinthians sediará Holanda x Chile, às 13h do dia 23; e Coreia do Sul x Bélgica, às 17h do dia 26. Em julho, quando ocorrerão as disputas eliminatórias, o estádio vai receber dois jogos dessa fase. No dia 1º, às 13h, uma partida pelas oitavas de final e no dia 9, às 17h, uma das semifinais.
“Depois da abertura, o maior foco de preocupação da PM durante a Copa serão as Fan Fests e as Public Views [exibições públicas]”, afirmou o capitão. Realizadas no Vale do Anhangabaú em dias de jogos, as Fan Fests devem atrair mais de 5 mil torcedores, enquanto as Public Views, como o próprio nome diz, serão a exibição pública das partidas.
G1

Fiscalização da Lei Seca cresce no RJ, mas n° de multados cai pela 1ª vez

Apesar de aumento de abordagens, multas por embriaguez diminuíram (Foto: Reprodução/Globo News)
Apesar de o número de abordagens da Lei Seca ter aumentado de 2012 para 2013, a proporção de motoristas que foram multados por embriaguez diminuiu no ano passado no estado do Rio de Janeiro, segundo dados da Secretaria de Estado de Governo (Segov) do Rio. Esta é a primeira vez que o número de condutores autuados no estado cai desde 2009, quando começaram as operações.
Das 363,4 mil pessoas abordadas nas operações de blitz de 2013 no Rio, 22,4 mil sofreram sanções administrativas em decorrência da Lei Seca – o que representa 6,2% do total. Já em 2012, o percentual foi de 9,3%: 32,7 mil autuações entre 351,4 mil motoristas.
Desde o início de 2013, a Lei Seca ficou mais rígida. Foi estabelecida a tolerância de 0,05 mg de álcool por litro de sangue, o que equivale a menos de um copo de cerveja. No ano passado, os policiais aplicaram 317,6 mil testes de bafômetro no Rio.
Para Paulo Cezar Ribeiro, professor de engenharia de transporte da Coppe-UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia, da Universidade Federal de Rio de Janeiro), embora a "rigidez da lei esteja adequada, é preciso uma fiscalização maior".
"Em função do valor da multa, a coibição é maior. Mas acho que a rigidez é adequada. Aumentando a fiscalização, é possível fazer com que a Lei Seca seja cada vez mais respeitada. Não há necessidade de torná-la mais rigorosa. As pessoas estão evitando dirigir. No meu círculo de amizades, por exemplo, vejo todo mundo usando táxi. As pessoas estão se adaptando a esses novos costumes", diz Ribeiro.
Além das sanções administrativas, 962 pessoas no Rio ainda sofreram sanções criminais no ano passado – o equivalente a 0,26% do total. Em 2012, o percentual foi de 0,15%. Em comparação a 2013, a proporção de pessoas que responderam criminalmente pela Lei Seca no estado foi maior apenas em 2009, quando 640 (0,49%) de 129,7 mil motoristas sofreram sanções criminais.A proporção de motoristas autuados no Rio por embriaguez ou por terem se recusado a fazer o teste do bafômetro é a menor desde 2010, quando 14,4 mil (5,6%) de 259,8 mil condutores sofreram sanções administrativas. Em 2009, primeiro ano da operação no estado, 7,5% dos motoristas foram multados.
EVOLUÇÃO DA OPERAÇÃO DA LEI SECA NO RIO DE JANEIRO
Ano                          Motoristas abordados                   Motoristas multados por embriaguez

2009                                   129.701                                                        9.671           
2010                                   259.823                                                       14.427
2011                                   259.541                                                       26.581  
2012                                   351.370                                                       32.735
2013                                   363.378                                                       22.384

Fonte: Secretaria de Estado de Governo do Rio de Janeiro
Mudança de hábitos
Com a implantação da Lei Seca e uma maior rigidez desde o ano passado, os motoristas começaram a repensar seus costumes para evitar multas. O músico e produtor cultural Lucas Araujo, de 26 anos, diz que teve que reavaliar as saídas com os amigos, já que não podia mais beber e dirigir.

Do grupo, ele é um dos únicos que dirige e tem carro. Por isso, acaba quase sempre sendo aquele que não bebe para dar carona aos colegas. Quando quer beber, passa a noite na casa dos amigos. “Depois da lei, as pessoas passaram a pensar mais [sobre direção]. Quando eu saio dirigindo, não posso beber”, afirma.
Já o advogado Dadid Lopes, de 64 anos, diz que sempre bebeu socialmente, mas que passou a beber muito menos e somente em casa depois da implantação da Lei Seca. “Diminuí a ingestão de álcool bruscamente, o que é maravilhoso”, comenta. Ele afirma nunca ter dirigido bêbado. “Sempre que eu bebia fora, minha esposa ia para o volante.”

Em relação à conta no microblog Twitter, que divulga onde as blitzes estão sendo feitas, o professor da UFRJ Paulo Cezar Ribeiro acredita que a ferramenta é útil para evitar congestionamentos e não para burlar a lei. "As blitzes da Lei Seca, por outro lado, provocam um congestionamento grande. Se você não bebeu, fica preso naquele congestionamento. Então acho que é valido."

Ele reforça que, após a implantação da Lei Seca, foi reduzido o número de acidentes fatais com condutores embriagados. Por isso, diz considerar a medida positiva. "O objetivo eu espero que não seja arrecadatório. O espírito da coisa é diminuir o risco. Essa é a questão", afirma o especialista.

Como é a lei
De acordo com a secretaria, a pessoa que se recusa a fazer o teste do bafômetro também é autuada em flagrante por apresentar sinais de embriaguez - que pode ser constatada pelo próprio policial, por imagens de câmeras, entre outras evidências.

De março de 2009 até a madrugada desta quarta-feira (21), a Operação Lei Seca do Rio de Janeiro abordou 1,4 milhão de motoristas. Destes, 107 mil condutores sofreram sanções administrativas e 3,4 mil, criminais. Os agentes realizaram 1,2 milhão de testes com o bafômetro. Além disso, 54,4 mil veículos foram rebocados e 104,4 mil motoristas tiveram a CNH recolhida.
Entre 0,05 mg e 0,33 mg, o motorista sofre uma sanção administrativa (multa) de R$ 1.915,40. Ele ainda perde o direito de dirigir por um ano. A partir de 0,34 miligramas, o condutor responde a processo por crime de trânsito. A pena pode ser de seis meses a três anos de detenção.

Colaborou o G1 Rio

G1
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