segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Homem é preso após ser flagrado tentando subornar PM em blitz na PB


Um homem foi preso na tarde do sábado (4) suspeito de tentar subornar policiais militares na cidade de Catolé do Rocha, no Sertão da Paraíba. O policial que realizava a blitz filmou com a câmera de um celular o momento em que o rapaz ofereceu dinheiro para ser liberado e acabou sendo preso em flagrante por corrupção ativa.
O caso aconteceu às 16h do sábado na rodovia estadual PB-323 no trecho entre as cidades de Catolé do Rocha e Brejo do Cruz, no Sertão do Estado. De acordo com a Polícia Militar, policiais estavam terminado uma blitz de rotina quando um menor de idade, que tem 16 anos, foi pego dirigindo um veículo. O tio dele vinha em um caminhão logo atrás e tentou negociar com os agentes.
O sargento Hinácio Gomes, que comandava a operação da PM, disse que informou que eles seriam conduzidos à delegacia para assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e que o carro seria liberado em seguida com o pagamento da multa prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Nesse momento, segundo o policial, o caminhoneiro ofereceu dinheiro para que o adolescente fosse liberado.

Na gravação, o suspeito aparece oferecendo R$ 100 ao PM, que aceita o dinheiro e dá voz de prisão, em seguida. O homem, que tem 43 anos de idade, está preso no Presídio Regional Manoel Gomes da Silva, em Catolé do Rocha. Também foram apreendidos R$ 2.090 que estavam com o suspeito. O sargento explicou que o dinheiro serve também como prova de que o preso tinha recurso para oferecer propina. O crime de corrupção ativa é inafiançável e o vídeo deve ser utilizado no inquérito e em um provável processo contra o suspeito.
"Eu insisti dizendo que era uma ocorrência simples e que tudo se resolveria na forma da lei e que não teria muitos problemas para eles, mas o tio do menino continuou tentando me subornar. Não tive outra alternativa senão prendê-lo por corrupção ativa", explicou o sargento. Ele disse que fez o vídeo com o celular para provar a tentativa de suborno.
Há quinze dias, o mesmo policial flagrou com a câmera do celular um homem tentando suborná-lo em uma blitz no mesmo local com R$ 50. O suspeito estava em um carro dirigido por um jovem com sinais de embriaguez. De acordo com o policial, ele continua preso. "O pessoal por aqui tem uma cultura de tentar resolver tudo através da conversa e da propina, mas o trabalho da PM na região está combatendo essa história", garantiu.
G1

Moradores reclamam de esgoto a céu aberto em rua de João Pessoa

Moradores reclamam de esgoto em rua de João Pessoa, Paraíba (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Delegado morto em SP já tinha sofrido atentado em 2002


O delegado Paulo Pereira de Paula, morto na noite deste sábado (4) em uma suposta tentativa de assalto na Marginal Tietê, na Zona Norte da capital paulista, tinha sido vítima de um atentado em 2002, quando ainda atuava na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Em agosto daquele ano, criminosos lançaram uma granada contra a casa do policial. O artefato explodiu e por pouco não causou a morte da mãe de Paulo, que estava na sala da residência. Os criminosos ainda dispararam vários tiros contra os carros que estavam na frente da casa. 


Oliveira, que trabalhou 11 anos com o colega morto, não acredita em assalto. Segundo ele, o amigo era destemido e fazia investigações inteligentes. "Não acredito que foi assalto. Tomar três tiros e não ter nada roubado. Ele nem chegou a sacar a arma, por que os bandidos iriam atirar?", questionou.
O delegado Fernando Gonçalves de Oliveira, da DIG de Ribeirão, que era amigo de Paulo e que na época investigou o atentado, afirma que suspeitos na época confessaram o crime. "Eles faziam parte de uma quadrilha de ladrões de cargas e de veículos que o Paulo estava investigando. Por isso, queriam sua morte ou pelo menos intimidá-lo."
O delegado de Ribeirão Preto conta que o amigo era de uma família de policiais e gostava da profissão. Ele deixou duas filhas, uma de 18 e outra de 8 anos.
Mapa morte de delegado (Foto: Arte/G1)
Imagens
A polícia vai analisar as imagens registradas pelas câmeras de segurança de uma loja de materiais de construção para tentar identificar os suspeitos de matar o Paulo, de 49 anos. O objetivo dos policiais, como mostrou o Bom Dia São Paulo desta segunda-feira (6), é saber se quatro suspeitos que entraram na loja próxima à Ponte do Limão, minutos depois do ataque, tem alguma relação com o crime.

Segundo uma testemunha, o delegado foi abordado por quatro criminosos em duas motos enquanto trafegava com sua motocicleta de 1.000 cilindradas, uma CB 1000R preta, no sentido Rodovia Ayrton Senna da Marginal Tietê.
Os assaltantes não levaram a moto e também deixaram a carteira do delegado, que foi localizada pela perícia no bolso da calça dele, e a arma, que estava na jaqueta. Paulo foi atingido por dois tiros - um no rosto e outro no abdômen.
Ele chegou a receber atendimento de uma médica que estava em uma ambulância particular que passava pelo local, mas morreu. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Inicialmente, a polícia suspeita que Paula tenha sido vítima de uma tentativa de roubo.
Ele foi enterrado na tarde deste domingo (5) no Cemitério de Bonfim Paulista, em Ribeirão Preto. Paulo Pereira de Paula trabalhava na Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise), de Guarulhos, na região metropolitana. Ele desmontou uma das principais quadrilhas de roubo a caixas eletrônicos que atuava na Grande São Paulo e no litoral.
G1

Morre vigia espancado no terminal de ônibus em Brusque, Santa Catarina


O vigia Arlindo Zunino, de 63 anos, faleceu no domingo (5) por volta das 10h15 da manhã. A informação é do Hospital Azambuja, onde ele estava internado após ter sido espancado por um assaltante no dia 30 de julho, no Terminal Rodoviário Urbano, no Centro de Brusque (SC). O sepultamento ocorre nesta segunda-feira (6).
De acordo com o médico Eduardo Ballester, que estava responsável pela UTI do Hospital Azambuja, em Brusque, o idoso permaneceu sedado e respirando com ajuda de aparelhos durante o tempo em que esteve internado. Ele teve traumatismo craniano em razão dos golpes que levou na cabeça.
O vigia foi espancando com uma barra de ferro no Terminal Rodoviário Urbano, onde trabalhava como segurança. A agressão foi filmada por câmeras de segurança. O assaltante estava escondido embaixo de uma escada e as câmeras de segurança flagraram o momento em que ele agrediu o vigilante. Mesmo com o homem caído, o agressor bateu diversas vezes na cabeça do vigia com uma barra de ferro. Parou por alguns instantes e, por duas vezes, voltou a bater. (veja vídeo acima).
Depois de espancar o vigilante, o assaltante usou a mesma barra de ferro para quebrar o vidro do escritório da empresa de ônibus Nosso Brusque para roubar dinheiro. O valor levado não foi divulgado. Na noite do dia 31 de julho, por meio de uma denúnica anônima, a Polícia Militar prendeu o suspeito da agressão. De acordo com a Polícia Militar, o homem resistiu à prisão mas confessou o crime.

Na casa do suspeito não foi encontrado o malote da empresa Nosso Brusque, mas  foi achado um saco cheio de moedas.O homem não tinha passagem pela polícia. Segundo Delegado da Delegacia de Polícia de Brusque, Alex Bonfim Reis, devido à grande repercursão do incidente, a polícia recebeu muitas denúncias anônimas, o que ajudou na identificação do assaltante.
G1

Aluno da Unicamp nascido na zona rural de MG vai estudar na França


Quando vivia em Pocrane, cidade de 9.000 habitantes na zona rural de Minas Gerais, André Luiz de Moura Marques, hoje com 21 anos, queria se livrar do trabalho na roça. Tinha pavor de ter de ajudar a família no cultivo das plantações de milho, feijão e arroz como faziam os jovens de sua idade, e ia estudar, ler e sonhar com novas oportunidades. Não sabia ao certo onde queria chegar, mas conhecia o caminho: a educação. Pocrane ficou para trás, André se tornou aluno de engenharia química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e agora está prestes a mudar de casa novamente. O destino é Lyon, que abriga a École Centrale de Lyon, uma das mais respeitadas instituições de ensino superior de engenharia do mundo.
André Moura no Rio Manhuaçu, em Pocrane, cidade onde nasceu (Foto: Arquivo pessoal)
O jovem vai participar de um intercâmbio de dois anos que será possível graças a um programa de duplo diploma da Unicamp destinado aos estudantes de engenharia. Os candidatos são selecionados por meio de análise de currículo, histórico escolar, entrevista e prova. André embarca no próximo dia 21 de agosto. Vai aprender o idioma, fazer as disciplinas do curso de engenharia química em Lyon, mas conclui a graduação na Unicamp.
Não é a primeira vez que André sairá do país. Em julho, em sua primeira viagem de avião, ficou três semanas na China por um programa de intercâmbio do Santander para participar de uma série de discussões sobre meio ambiente e sustentabilidade. “Foi bom conhecer outro país, outra cultura, outra moeda. É bom ver tudo isso para depois emitir suas próprias opiniões”, diz.

“Fiz a prova, fui aprovado mas não tinha como me manter lá [em Viçosa]. Tinha 16 anos, e na minha família nunca ninguém tinha saído de casa para estudar. Minha mãe não tinha como me bancar, e meus professores me ajudavam, me davam dinheiro para me manter, até os que não me conheciam, mas sabiam da minha história”, afirma André. Nessa época, a mãe do garoto, Ruth Moura, de 39 anos, trabalhava como empregada doméstica, hoje ela é auxiliar de serviços gerais em uma escola de Pocrane. O pai de André morreu por conta de um acidente de trabalho em uma mineração quando ele tinha dois anos.
Para chegar até a École Centrale de Lyon, a trajetória do jovem foi longa. Durante o ensino fundamental estudava em um povoado distante uma hora de sua casa em Pocrane, ia a pé, sob sol quente. Foi incentivado por uma diretora a tentar uma vaga no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) quando concluísse o ensino fundamental. E ao contrário do desejo mãe, que tinha medo de não conseguir ajudá-lo nas despesas se saísse de casa, prestou vestibulinho para tentar uma vaga no Colégio de Aplicação. Falhou na primeira tentativa, mas conseguiu no ano seguinte.

Ao término do terceiro ano do ensino médio, em 2009, André prestou vestibular e garantiu vaga na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Unicamp, Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e UFV, onde passou em primeiro lugar entre todos os candidatos. Optou pela Unicamp pela reputação e qualidade da instituição, mas também pela política de auxílio e moradia estudantis.
Trezentos quilômetros longe de casa, em Viçosa, André demorou um pouco para se acostumar. “Morava na roça e foi um choque cultural, no primeiro ano sofri um pouco”, diz. André só voltava para Pocrane nas férias, trabalhava como professor particular de matemática e física, e a mãe, aos poucos, se acostumou com a ideia de tê-lo longe. “No começo foi difícil porque fui o primeiro a fazer isso. Mas ela se convenceu de que era a oportunidade que tinha e sabia da minha vontade de sair de lá.”
“Muita gente de Pocrane não sabe o que é uma universidade pública, mas é normal. Eu mesmo não tinha noção, mas abri minha cabeça, nunca pensaria em mudar para São Paulo, mas pude sonhar mais alto”, diz.
O espírito de querer o evoluir, o fez ser escolhido como um dos bolsistas da Fundação Estudar, que apoia jovens talentos brasileiros com auxílio financeiro e de orientação para carreira. Da seleção deste ano saíram 29 estudantes entre quase 6.000 inscritos.
O estudante André de Moura na viagem para a China: estreia do passaporte (Foto: Arquivo pessoal)
‘Oportunidade para quem tem potencial’
Lyon é uma das maiores cidades francesas. Lá, André vai estudar, estagiar e morar no campus da universidade. Volta para o Brasil dois anos depois para concluir a graduação na Unicamp, trabalhar e investir em projetos de educação. “Quero me engajar para mudar algumas coisas no meu país. Não me considero mais inteligente do que ninguém, só tive oportunidade e quero promover isso para quem tem grande potencial, mas é sufocado pelo meio. A educação é o que muda nossa vida. É o que mudou a minha. Se não fosse por ela, seria um trabalhador rural”, afirma.

Casa onde André passou a infância e parte da adolescência em Pocrane (Foto: Arquivo pessoal)
O mineiro pensa em trabalhar como engenheiro com projetos de construções, mas atuar em projetos de educação de forma paralela, criando colégios ou fundações que apoiem estudantes. “A educação faz você se uma pessoa melhor, um cidadão mais consciente, e vai mudar o Brasil. É o mínimo que posso fazer por tudo que tive. Professores apostaram em mim e tenho de retribuir”, diz.
Do Brasil, nos próximos dois anos, André diz que vai sentir falta da família, da língua e da sensação de estar em casa. Mas a distância será importante para viver outras realidades e experiências que poderão se copiadas. “A gente tem muita coisa para ser melhorada e não quero me acomodar. Nosso país é desenvolvido de forma assimétrica, e temos o papel, como cidadãos, de mudar isso. Eu não tinha acesso a uma boa educação, a expectativa era de que virasse um trabalhador rural. Mas minha história foi diferente, e a ideia é que eu não seja um caso a parte. A educação no Brasil é muito restrita, e me faz refletir sempre.”
G1
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