quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Vereadora de Ponta Grossa que sumiu forjou sequestro, diz polícia


A vereadora de Ponta Grossa, Professora Ana Maria (PT), que desapareceu após a posse, na terça-feira (1º), foi presa em flagrante ainda nesta quarta-feira (2), por falsa comunicação de crime. Segundo a polícia, ela forjou o próprio sequestro.

De acordo com o delegado Luíz Alberto Cartaxo, que integra o Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Grupo Tigre), especializado em resgate de reféns, Ana Maria e mais quatro pessoas - que segundo as investigações tiveram participação na fraude - serão denunciadas por falsidade processual, falsa comunicação de crime e formação de quadrilha. Com exceção de um dos suspeitos, todos estão detidos. “É intenção da polícia mantê-los preso até o julgamento”, disse o delegado.

Ana Maria, que foi eleita para o terceiro mandato nas eleições de outubro de 2012, sumiu por volta das 18h depois de sair do Cine Teatro Ópera, onde foi realizada a cerimônia de posse dos vereadores, prefeito e vice-prefeito eleitos. Do teatro, ela deveria ter ido para a Câmara Municipal para participar da eleição da Mesa Diretora, mas não apareceu. A ausência da vereadora acabou suspendendo a votação. Alguns parlamentares se negaram a dar início à eleição, sem a presença da colega. Na tarde desta quarta-feira, a vereadora apareceu na Santa Casa de Misericórdia, demonstrando-se atordoada. Ela recebeu atendimento médico e foi transferida para o Hospital Regional da cidade. Ainda nesta quarta-feira, a polícia prendeu um assessor de Ana Maria.

Conforme divulgado pela polícia, a vereadora está detida no Hospital Regional da cidade e a voz de prisão foi dada indiretamente, já que Ana Maria está sedada e incapaz de prestar depoimento. “Tão logo ela reúna condições médicas, será levada a unidade policial para prestar esclarecimentos”, explicou Cartaxo. Para impedir qualquer tentativa de fuga, dois policiais fazem a escolta da vereadora, que ainda não tem advogado constituído.

Vereadora Ana Maria (PT), momentos antes de sumir (Foto: Reprodução/RPC TV)
O motivo
Cartaxo explicou que Ana Maria tinha “interesses próprios mediante vantagens” em não participar da votação da Mesa Executiva da Câmara. Cartaxo, contudo, não afirmou que essas vantagens seriam financeiras. Para ele, também pode ser relacionada à composição da Mesa.

“O que dá impressão, é uma opinião que estou dando, não existe nada de concreto nos autos, a ideia [de Ana Maria] era de que fosse uma ação rápida, que ocorresse a votação e ela reaparece”, especulou. Isso não ocorreu, lembrou o delegado, porque os demais vereadores da bancada se negaram a dar continuidade à sessão. “Fugiu ao controle”, complementou

Ainda não é sabido se outros vereadores tiveram participação na simulação de sequestro. Segundo o delegado, o objetivo desta investigação era solucionar o sequestro e, a partir de agora, as investigações podem apontar ou não para o envolvimento de outros agentes políticos.
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G1

Leandro do KLB assume vaga de deputado e quer fazer 'mandato legal'


Leandro, KLB (Foto: Fábio Braga/ Folhapress)O músico Leandro Finato Scornavacca, o Leandro do KLB, assumirá nesta quinta-feira (3) o mandato como deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo. Filiado atualmente ao PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, criado em 2011, Leandro foi eleito primeiro suplente da coligação PSDB-DEM nas eleições de 2010. Desde outubro do ano passado ele já sabia que poderia estrear como deputado estadual, com o mandato se encerrando em março de 2015. Nesta quinta, nove deputados assumem cadeiras no Legislativo estadual vagas após as eleições municipais de 2012. Leandro assumirá o lugar de Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), eleito prefeito de Santos, na Baixada.
"Espero dar o melhor de mim para representar as pessoas que me deram um voto de confiança. Eu não vivo de política, sou músico. Sou um artista que faz o bem. Quero muito a oportunidade de fazer um mandato legal", afirmou o músico, que não deverá cantar na posse e nem levará a namorada, a ex-miss Brasil Natália Guimarães.

Leandro quer desenvolver projetos para a preservação da família, da criança e contra maus-tratos de animais. Ele disse que vai acompanhar o posicionamento do partido em relação ao governador Geraldo Alckmin. "Sou do PSD. Não sei se aqui em São Paulo [o partido] estava com o PSDB. No governo federal, estava com a Dilma", afirmou.

Outros suplentes
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil, vice-presidente da Força Sindical e secretário nacional de Relações Trabalhistas e Sindicais do PSDB, Antonio de Souza Ramalho, o Ramalho da Construção, entrará no lugar de Gil Arantes (DEM), eleito prefeito de Barueri, na Grande São Paulo.

Também novato na Assembleia, ele diz que vai defender moradia popular e criação de emprego e renda. "Quem precisa dos políticos são as pessoas mais simples", disse Ramalho. Ele pretende pedir a Alckmin, em conversa agendada para esta sexta-feira (4), que os projetos habitacionais beneficiem também os trabalhadores da construção.

Dilador Damasceno (PSDB) ficará no lugar de Bruno Covas (PSDB), licenciado para ocupar a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Empresário mercantil e do agronegócio, Damasceno, de 58 anos, afirma ser "neófito" na Assembleia, promete trabalhar em defesa do desenvolvimento de Araçatuba, com estilo agregador. "A gente sabe que na Assembleia uma pessoa só não muda nada", afirmou.  
O deputado Carlos Grana (PT), eleito prefeito de Santo André, deixa a Assembleia Legislativa ao lado de Donisete Braga (PT), eleito em Mauá. Também saem Simão Pedro e João Antonio, chamados pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a assumir, respectivamente, as secretarias de Serviços e de Relações Governamentais.
No lugar deles, entram Alexandre José da Cunha, o Alexandre da Farmácia (eleito pelo PR, mas agora no PP), Francisco de Assis Pereira Campos (PT), Osvaldo Vergínio (PSD), que foi candidato derrotado à Prefeitura de Osasco, e o ex-vereador paulistano Carlos Neder (PT).
Neder, que já cumpriu outras duas vezes mandato na Assembleia, afirma ter mais de dez projetos em condição de entrar em votação. Coordenador de Saúde do PT e responsável pelo programa de governo de Haddad para a saúde, Neder afirma que alguns pontos serão obrigatórios em sua atuação: reinstalação do fórum suprapartidário em defesa do SUS e da Previdência Social, do qual foi um dos autores, e a criação em âmbito estadual de conselhos gestores de saúde.  
Policial militar da reserva, ex-presidente da Câmara Municipal de Osasco e derrotado nas eleições da cidade em 2012, Osvaldo Vergínio (PSD) afirma que vai conhecer um pouco do Legislativo estadual. Ele pretende atuar para conseguir um novo acesso da cidade à Rodovia Castello Branco, a rediscussão dos contratos de saneamento da cidade e ampliação do hospital regional que atende ao município. Ele acredita que o PSD deve se manter neutro em relação ao governo Alckmin. "Vamos por enquanto ficar neutros", afirmou.
No lugar de Pedro Antonio Bigardi (PCdoB) entra Alcides Araújo dos Santos, o Alcides Amazonas, do mesmo partido. Ex-vereador em São Paulo, Amazonas foi chefe de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em São Paulo entre 2005 e 2012 e diz ter reduzido o percentual de fraudes em postos de combustíveis de 15% para 1,5%.
"Como tenho bastante acúmulo em transportes, deverei continuar atuando nessa área, mas não devo perder o foco na proteção aos consumidores. É uma bandeira da qual não abro mão", afirmou Amazonas. Autor de projetos sobre estabilidade no emprego para cobradores de ônibus e pela proibição do motor dianteiro dos ônibus, ele quer lutar pela ampliação do bilhete único metropolitano (BOM).

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G1

Candidata consegue na Justiça vista da correção da redação do Enem


Uma estudante do Rio que prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012 conseguiu na Justiça o direito de ver a correção de sua redação. De acordo com a advogada Isadora Girão, do escritório Rezende de Almeida, que representa a garota, um dos três juízes de plantão na 9ª Vara Federal deferiu na quarta-feira (2) o pedido de tutela antecipada para que a candidata receba, até a sexta-feira (4), a vista da correção de sua redação.
A estudante é a primeira a conseguir antecipar a vista da redação do Enem 2012 --o pedido foi julgado na 9ª Vara Federal no mesmo dia que foi protocolado. Um pedido na 31ª Vara Federal de Minas Gerais acabou não sendo deferido. Segundo a equipe de plantão, o juiz se considerou incompetente para julgar o pedido. Após a decisão da Justiça Federal no Rio, porém, Isadora disse que recebeu cerca de 20 candidatos do Enem a procuraram e que, nesta quinta-feira (3), ela deve entrar com mais solicitações de antecipação da vista pedagógica.
De acordo com a advogada, a candidata, que pediu para não ser identificada, deverá receber a correção no endereço de e-mail que cadastrou no ato da inscrição no Enem 2012, e terá 24 horas, depois de examinar sua prova, para protocolar na Justiça um pedido de revisão da correção.Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa do Ministério da Educaçãox afirmou que o governo vai recorrer dessa e de outras possíveis decisões judiciais. Segundo a pasta, a Advocacia-Geral da União vai apresentar a defesa do ministério. O MEC afirmou que todos os candidatos terão acesso à "vista pedagógica" automaticamente a partir do dia 6 de fevereiro. Para acessar a correção, bastará inserir o CPF ou o número de inscrição do Enem 2012 e a senha individual do candidato.
"Ela está procurando alguns professores para auxiliarem ela para dar um parecer, para encaminhar para o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, responsável pela aplicação do Enem] por e-mail", afirmou Isadora.
Ela disse ainda que a estudante é "uma aluna exemplar que tem notas acima de 9 em redação" e decidiu entrar na Justiça para antecipar a vista de sua correção porque considerou a nota de 620 baixa para o que esperava. "No ano passado ela fez o Enem e tirou 800 [na prova de redação]. Ela estava no segundo ano [do ensino médio], não estava se preparando para o vestibular. Ela também guardou o rascunho da prova dela e mostrou aos professores, que consideraram a nota bem abaixo do merecido", explicou a advogada.
Um abaixo-assinado pedindo uma nova correção contava, na noite de quarta-feira (2), com mais de 11 mil assinaturas. Em Maceió (AL), um grupo de estudantesconseguiu uma reunião na quarta com o Ministério Público Federal em Alagoas, na qual foi entregue a petição (veja vídeo ao lado).
Vista pedagógica
A divulgação da vista da correção faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o MEC e o Ministério Público Federal em agosto de 2012. O MEC afirmou, na época, que não havia uma ferramenta digital devidamente testada que comportasse a consulta pretendida na edição de 2011 do Enem. Na edição atual, o ministério disse que o dia 6 de fevereiro é o prazo para que as redações sejam digitalizadas e carregadas no site de resultados do Enem.

A partir deste ano, a redação passou a ser corrigida por dois corretores de forma independente, sem que um conheça a nota atribuída pelo outro. A nota final é composta de cinco notas, que avaliam competências específicas do candidato.
A nota final corresponde à média aritmética simples das notas atribuídas pelos dois corretores. Caso haja discrepância de 200 pontos ou mais na nota final atribuída pelos corretores (em uma escala de 0 a 1.000), ou de 80 pontos ou mais em pelo menos uma das competências, a redação passa por um terceiro corretor, em um mecanismo que o Inep chama de "recurso de oficio". Se a discrepância persistir, uma banca certificadora composta por três avaliadores examinará a prova.
Essas regras de correção significam que não há recurso administrativo para que o candidato possa solicitar ao MEC uma revisão da nota divulgada, porque ela já é a pontuação final. A alternativa, então, é recorrer à Justiça.
Candidatos insatisfeitos
Desde a sexta-feira (28), quando a nota do Enem 2012 foi divulgada, milhares de candidatos se uniram para pressionar o MEC a revisar a correção das redações. Um candidato criou, no Facebook, na própria sexta, um grupo para reunir pessoas interessadas em entrar na Justiça para conseguir uma nova correção. Em cerca de quatro horas, o grupo já reunia quase 200 membros, mas, na noite desta quarta-feira, já eram mais de 29 mil os integrantes que se dizem indignados com a nota. O grupo promoveu protestos em diversas cidades do Brasil nesta quarta e promete mas manifestações na sexta-feira (4).

Na maioria dos casos, candidatos insatisfeitos argumentam que levaram o rascunho da redação do Enem para casa e o mostraram a professores. Estes, depois de examinar o texto, teriam dito que suas notas seriam mais altas do que o resultado divulgado nesta sexta.
Maria Clara Lima, de 17 anos, fez o Enem neste ano para tentar uma vaga no curso de odontologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI) pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A estudante de Teresina disse que dois professores de seu cursinho pré-vestibular corrigiram o rascunho de sua redação e lhe deram como nota não-oficial entre 850 e 940. Porém, sua nota final foi de 620 e, agora, ela teme que não seja suficiente para conquistar a vaga.
"Estou indignada, afinal, ano passado, sem cursinho de redação obtive 800 no Exame", afirmou ela. "Acredito que se tivesse conseguido a mesma nota de redação teria dado certo. Em redação, esse ano fui bem melhor que o ano passado. Estava jurando que eu ia conseguir."
Maria Clara diz que aderiu ao grupo que estuda uma medida judicial para revisão das notas para buscar informações a respeito de uma possível mudança.
Andressa Suarez, de 19 anos, disse que ficou "surpresa" com a nota final de 320 pontos na redação. A estudante, que no ano passado tirou 860 na redação do Enem e conseguiu uma vaga no curso de letras na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), explicou aoG1 que decidiu refazer o Enem para mudar de curso e estudar jornalismo. Blogueira, ela contou que, durante o ensino médio, foi premiada por suas redações e chegou a ser a oradora de sua turma na cerimônia de formatura. Disse que, neste ano, se preparou para o Enem com simulados pela internet e que, em 2011, não estudou.
Apesar de considerar o tema do Enem 2012 menos tranquilo que no ano anterior, Andressa disse que não se conforma com a pontuação que recebeu.
Já o estudante Adriano Sousa Santos, de 18 anos, diz que fez o Enem 2012 para tentar uma bolsa de intercâmbio pelo programa Ciência sem Fronteiras. Estudante do primeiro período do curso de engenharia civil do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), o jovem, que fez o ensino médio integrado ao técnico no Instituto Federal do Maranhão (IFMA), onde recebeu bolsa de iniciação científica da Petrobras, afirmou que se inscreveu no exame pelo terceiro ano consecutivo para tentar aumentar sua nota e, consequentemente, sua chance de receber uma bolsa do programa.
Porém, a nota de sua redação caiu de 560 para 420 --em 2010, no primeiro Enem de Adriano, sua redação teve nota 740. "Nos vestibulares tradicionais que eu faço minhas notas foram muito melhores, entre 8 e 8,50", afirmou o estudante, que agora não sabe se conseguirá atingir o objetivo de fazer intercâmbio na Espanha. "Posso usar a nota do ano passado, mas no Ciência sem Fronteira a melhor nota é a que se sobressai. Fiz novamente [o Enem] para melhorar, tinha tudo para ser melhor esse ano, sempre consegui boas notas", disse.
Agora, ele e outros candidatos que prestaram o Enem estão organizando uma petição online para que a correção seja refeita --até a quarta-feira, já eram mais de 9 mil as assinaturas na petição. "Vamos tentar todas as medidas possíveis, o que for viável a gente vai fazer."
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G1

'A cracolândia nunca acabou', diz mãe de dependente químico em SP


Renato pichou a parede do banheiro do local onde usa mãe trabalha com questionamentos e pedidos de perdão (Foto: Lívia Machado/G1)Renato pichou a parede do banheiro do local onde
a mãe trabalha com questionamentos e pedidos
de perdão (Foto: Lívia Machado/G1)
A cabeleireira Rosana convive há mais de uma década com o vício em crack do filho Renato, de 28 anos. Ela já perdeu as contas de quantas vezes o jovem deixou a casa onde mora rumo à cracolândia, no Centro de São Paulo. Um ano após Prefeitura, governo do estado e forças de segurança intensificarem as ações na região, a mãe garante que "a cracolândia nunca acabou".

(O G1 publica, nesta semana, uma série de reportagens sobre o consumo de crack e como é feito o tratamento de dependentes. Foram ouvidos os órgãos públicos responsáveis pelo atendimento aos usuários e pelo combate ao vício, como o Ministério da Saúde e Secretaria Nacional de Segurança Pública, além de pesquisadores, médicos e pacientes. O governo federal liberou recursos para estados e municípios sem conhecer a dimensão do problema.)
Renato é um rapaz inteligente, interessado por literatura e esportes. No futebol, tinha talento, segundo a mãe, e era bem quisto nos times de bairro. Perdia a vaga de titular (e os colegas) quando passava a ser supeito de furtos. "Ele jogava bem, e era sociável. Mas quando começou a usar droga, roubava pra custear o vício. Era ágil e dissimulado nessas horas", conta.Na visão de Rosana, a medida provocou um falso êxodo. A migração dos dependentes para outras áreas da cidade não destituiu a cracolândia do posto oficial da venda e consumo. "Ele não saiu da cracolândia. Ele se desloca de um lugar ao outro, quando a pressão policial ocorre. O dependente de crack anda muito, muitos quilômetros por dia, e sempre fica com os pés feridos de tanto andar ou correr".
Dentro de casa, ele também perdeu espaço por conta da delinquência. Quando retorna, não tem mais quarto, tampouco cama. Rosana mantém um armário no canto da sala, onde guarda uma coberta e os objetos de higiene pessoal de Renato – itens liberados mediante negociação. "Ele só tem acesso se estiver disposto a mudar de vida, se tratar. Tem que ter uma troca. Não posso facilitar", diz.
Ela impõe um controle para evitar novos prejuízos. A camiseta do time de futebol inglês Chelsea é a preferida do rapaz, e uma das poucas roupas que sobrou no armário. "Se deixar, ele vende na rua". A mãe controla até o uso do cortador de unha. "Falo que, se ele levar e vender, ficará sem quando retornar, e não terá como cortar as unhas. Ele sempre gostou de se cuidar, de estar limpo, arrumado."
Rosana já resgatou o filho na cracolândia e pagou dívidas de drogas do rapaz. Hoje, ele é jurado de morte no bairro onde a família vive por dever a traficantes locais. Renato tentou se tratar pela primeira vez aos 16 anos e já soma 10 internações ao longo dos 12 anos de vício.
mapa_cracolandias_sao_paulo_300 (Foto: Editoria de Arte / G1)
Ação policial completa 1 ano
Em 3 de janeiro de 2012 foi intensificada a Operação Integrada Centro Legal, com objetivo de combater o tráfico e dar tratamento aos usuários com ações de agentes de saúde, sociais e da Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana.

Um ano depois, dados da administração municipal e da Defensoria Pública, relatos de policiais militares, guardas-civis e ex-dependentes químicos, além e flagrantes doG1, indicam que ruas e avenidas da região central seguem ocupadas por usuários e traficantes de drogas. A chamada cracolândia resiste e ganha "filiais".
Depois de a operação começar, o número de vias da região frequentadas por usuários saltou de 17 para 33. O levantamento é da Coordenadoria de Atenção às Drogas, órgão ligado à Secretaria de Participação e Parceria da Prefeitura.
A Operação Integrada Centro Legal existe desde 2009, mas, no início do ano passado, quando passou a contar com policiais militares e guardas-civis, parte dos viciados da cracolândia começou a migrar para outras regiões da cidade, numa fuga chamada por eles de "procissão do crack".
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, já foram identificados grupos de viciados em entorpecentes em dez bairros: Sé, Santa Cecília, República e Bela Vista (no Centro); Cambuci e Itaim Bibi (Zona Sul); Pari (Zona Norte); Mooca e Belém (Zona Leste); e Barra Funda (Zona Oeste).
Internação compulsória
A cabeleireira acredita que, no caso do crack, não existe outra opção a não ser a internação involuntária. "O dependente químico do crack não tem como decidir, pensar, já que a droga atua tão destrutivamente que o cérebro fica comprometido", defende.


“Penso que a internação compulsória é um procedimento de emergência psiquiátrica em casos específicos e sempre de tempo curto. Sou contra este procedimento, que não é tratamento, como política pública para um conjunto de pessoas com diferentes condições físicas e mentais. Além de não ser tratamento, a internação compulsória tem efeitos nocivos e envolve outras problemáticas - sociais, políticas e psíquicas”, disse ao 
G1.Os especialistas que se posicionam contra a internação compulsória costumam argumentar que as intervenções sem a vontade do dependente geram uma taxa de fracasso alta no tratamento e o consequente retorno ao uso da droga. Para a psicóloga Miriam Debieux Rosa, do Instituto de Psicologia da USP, a internação compulsória não pode ser usado como tratamento ao usuário.
Apesar dos argumentos contrários à prática, há quem defenda a internação compulsória. "Não tem jeito, somente recolhendo todos eles para uma internação compulsória é que poderemos, após os primeiros 30 ou 60 dias, oferecer uma opção de tratamento para esse indivíduo", diz o consultor Fabian Penyy Nacer, ex-viciado que não vê êxito em abordagens quando o usuário está sob efeito da droga.
"Abordando-o na rua, você só vai conseguir falar com o demônio do crack que se instalou dentro dele e não conseguirá, de fato, conversar com o ser humano que existe dentro dele", defende. Sabendo da dificuldade em conversar com alguém sob efeito da droga, os agentes da saúde não abordam viciados durante o consumo.
Amoroso
Semanas antes da última das inúmeras vezes que saiu de casa, Renato recomendou um link em sua página pessoal no Facebook. A reportagem indicada falava sobre a crise no Palmeiras, time pelo qual sempre foi torcedor aficionado. No post, ele pedia força ao clube, que na época cambaleava na série A do Campeonato Brasileiro. O rapaz voltou para as ruas antes do rebaixamento do time.

No banheiro do trabalho da mãe, Renato deixou inúmeros recados e desabafos. Quase todos pichados em inglês. "Quando ele está bem, é amoroso, pede ajuda, diz que quer se tratar", lembra a cabeleireira.
'Epidemia' de crack
Para a mãe, o estado minimiza danos do que define como "epidemia de crack", e não se empenha em combatê-lo. "As pessoas que estão comandando esta guerra tratam o assunto com romantismo em verso e prosa. Falta muito arsenal e gente para cuidar disto", disse.

O atendimento proposto aos usuários é feito pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps). A assistência é ambulatorial, voluntária, e pede a participação da família no processo. Mesmo com o filho na rua, Rosana frequenta o serviço semanalmente. Avalia como positivo o suporte, mas questiona o método.
"Meu filho já foi internado mais de 10 vezes em diversas instituições. Algumas vezes por vontade própria. Há dois anos ele iniciou o tratamento no Caps. Não posso afirmar que o sistema é ineficaz, mas para o meu filho não funcionou. Falta um serviço que tenha condições de lidar com o dependente resistente", afirma.
Organizações ligadas a igrejas tentam vencer o crack pela fé. Uma delas é a católica Missão Belém, que afirma ter recuperado dezenas de viciados. A diferença na abordagem é que boa parte dos agentes algum dia já dividiu o cachimbo do crack com outros usuários.
"Perdi toda a família, acabei na rua completamente cego pela droga. Pegava lixo para comer", lembra o barman Fabrício Gomes, de 28 anos. Após frequentar por dois anos a "terra do crack", ele foi convidado a frequentar a missão. Depois de abandonar o vício, voltou à cracolândia. "Vou lá para fazer o mesmo convite que recebi."
Paredes pichadas por Renato em banheiro do trabalho da mãe (Foto: Lívia Machado/G1)Paredes pichadas por Renato em banheiro do trabalho da mãe (Foto: Lívia Machado/G1)
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G1

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Mulher é assassinada com cinco tiros em Cabedelo, na Paraíba


Mulher foi morta com cinco tiros na comunidade Salinas Ribamar em Cabedelo-PB (Foto: Walter Paparazzo/G1)Mulher foi morta com cinco tiros na comunidade Salinas
Ribamar em Cabedelo-PB (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Uma mulher foi morta a tiros na tarde desta terça-feira (1) na comunidade Salinas Ribamar, que fica no município de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa.
A Polícia Militar foi acionada e encontrou o corpo da vítima que foi atingida por cinco disparos de arma de fogo e teve morte imediata.
De acordo com o cabo Sandro Alves da Polícia Militar a mulher não morava com sua família e  ainda não há qualquer informação sobre quem teria cometido o homicídio ou os motivações. O Instituto de Polícia Científica da Polícia Civil também esteve no local e o corpo da vítima foi levado para a Gerência Executiva de Medicina e Odontologia Legal (Gemol). O crime será investigado e até o momento nenhum suspeito foi preso.
G1
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