domingo, 14 de agosto de 2011

Fazenda aplica integração lavoura-pecuária com sucesso e vira atração


Do Globo Rural
A fazenda Santa Brígida fica no município de Ipameri, cidadezinha goiana a 200 quilômetros da capital do estado. A dona da fazenda é a dentista Marize Costa, que assumiu o papel de fazendeira depois que ficou viúva. A proprietária diz que pensou em vender a fazenda, porque não tinha recursos para recuperar as pastagens degradadas.
A solução encontrada por Marize foi recuperar os pastos usando a técnica da integração lavoura-pecuária. O trabalho está completando cinco anos e mudou completamente o cenário da fazenda.
Em 600 hectares, a produção é de 35 mil sacas de milho, 20 mil de soja e formando pasto para engordar 550 bois. No primeiro ano, a lavoura pagou o investimento da recuperação da pastagem.
O engenheiro agrônomo João Cuthcouski, da Embrapa, explica porque a resposta foi tão rápida. “Porque, se ela faz pelos métodos tradicionais, a formação do pasto é muito cara, que exige insumos, sementes. Para pagar esses investimentos com a arroba de boi, via de regra, não é fácil, e, muitas vezes, é impossível. O grão é uma resposta rápida. Em quatro meses, há liquidez”.
A ideia parece simples, mas, no começo, o pessoal da região estranhou. Até hoje, Marize lembra o comentário de um vendedor de sementes de capim, que desconfiou do método completamente diferente do utilizado pelos outros agricultores da região.
Hoje, a Santa Brígida virou uma vitrine visitada por pecuaristas e agricultores do país inteiro. Na época do ano em que já não existem mais pastos na região, o gado da fazenda conta com o capim verdinho, recém-formado nas entrelinhas da lavoura.
O gerente da Santa Brígida, Anábio Ribeiro, diz que, com a renovação constante dos pastos, a maior parte do rebanho vai engordar só no capim, o que traz uma economia de R$ 5 a R$ 6, por cabeça por dia, o custo de uma diária de um animal engordado em confinamento.

Outro benefício da integração lavoura-pecuária é o enriquecimento do solo com matéria orgânica. Para constatar isso, a reportagem foi a uma lavoura de soja de outra fazenda que fica vizinha de cerca da Santa Brígida.
Este ano, a soja da propriedade de Eduardo Machado foi atacada por um fungo, o mofo branco, que hoje se alastra por todas as regiões produtoras do país. É o segundo maior problema da soja, atrás da ferrugem, mais conhecida e com controle mais eficaz. O mofo branco é um desafio para os produtores e pesquisadores do grão.
O agrônomo Tarcísio Cobucci, da Embrapa, diz que a palha do milho e da braquiária que sobraram no meio da soja formaram uma barreira física que abafou o fungo e evitou sua propagação na fazenda Santa Brígida.

Com a orientação da Embrapa, a fazenda está testando também um consórcio tríplice: eucalipto, lavoura e capim. A reportagem do Globo Rural visitou a área em dois momentos: na colheita da silagem de milho e dois meses depois, quando o capim invadiu a área.
A produtividade do milho, segundo Cuthcouski, foi muito boa, chegando a 52 toneladas de silagem de milho por hectare. “Com esse modelo, o agricultor vai passar a ter três fontes de renda: uma renda com os grãos produzidos; a segunda, com o gado, seja com leite ou produção de carne; e, finalmente, uma renda muito forte, que seria a do eucalipto, no momento em que for cortado para produzir energia. O eucalipto está produzindo algo próximo a R$ 1.000/hectare/ano de lucro. Isso, para pequeno produtor, é fantástico. E como aqui estamos trabalhando em sistema em que a gente visa um ano seguinte melhor para produzir, isso se chama sustentabilidade na concepção da palavra”, diz.
Para mostrar porque o solo recuperado fica cada vez melhor, o engenheiro agrônomo João Cuthcouski mandou cavar uma trincheira dentro do pasto. “Note a malha radicular que a braquiária forma. Todo esse volume de raiz é capaz de modificar todas as propriedades do solo. Melhora a matéria dentro do perfil, melhora as propriedades físicas do solo, a água penetra melhor, armazena mais água e melhora as propriedades químicas, reciclando os nutrientes e os devolvendo à superfície”, afirma.
Para o pessoal da fazenda Santa Brígida, que usa a integração lavoura-pecuária há cinco anos, os benefícios do sistema são ainda mais evidentes, como diz o engenheiro agrônomo Roberto Freitas, encarregado da parte agrícola. “Esse sistema, além de aumentar a sustentabilidade, reduz custos com defensivos, porque a gente vai ter menos doenças dentro dessas áreas, o custo com fertilizantes, porque a braquiária faz uma recilagem de fertilizantes, aumenta os teores de matéria orgânica, o que aumenta sua eficiência, e no controle de plantas daninhas, porque a braquiária elimina a presença das plantas daninhas tradicionais. A gente passa a ter uma manejo muito mais econômico, facilitando o cultivo de variedades tradicionais de soja, que hoje tem diferencial de preço no mercado”.
O engenheiro agrônomo João Cuthcouski também lembra que, nos últimos anos, essa tecnologia ganhou mais um reforço: ajuda manter o equilíbrio do planeta.
O criador que quiser adotar o sistema de integração lavoura-pecuária pode receber financiamento do Banco do Brasil no programa Agricultura de Baixo Carbono. Os interessados precisam fazer um projeto e procurar o banco.
Quem quiser receber gratuitamente uma cartilha sobre o sistema deve escrever para
Embrapa, Caixa Postal 40315, Brasília, Distrito Federal, CEP 70770-901
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